A ausência de estrutura adequada e de ações permanentes de fiscalização em diversas Unidades de Conservação (UCs) brasileiras tem ampliado a vulnerabilidade dessas áreas à atuação de organizações criminosas. A falta de planos de manejo atualizados, equipes reduzidas e limitações orçamentárias facilita a ocorrência de invasões, garimpo ilegal, extração de madeira, caça, ocupações irregulares e até o tráfico de fósseis, comprometendo a proteção do patrimônio natural do país.
Especialistas apontam que muitas unidades de conservação ainda operam com graves lacunas de gestão, dificultando o monitoramento contínuo e a resposta rápida a atividades ilícitas. Em áreas remotas, a baixa presença do poder público permite que grupos criminosos estabeleçam estruturas permanentes para exploração ilegal dos recursos naturais, gerando impactos sobre a biodiversidade, os recursos hídricos e as comunidades locais.
Entre os crimes registrados em áreas protegidas estão o garimpo ilegal, responsável pela degradação de ecossistemas e contaminação de rios por mercúrio, além do tráfico de fósseis, que retira do país importantes registros da história geológica e paleontológica brasileira. Essas práticas provocam perdas irreparáveis para a ciência e para a conservação do patrimônio natural.
De acordo com especialistas, fortalecer a gestão das Unidades de Conservação passa por ampliar investimentos em infraestrutura, contratação de servidores, regularização fundiária, monitoramento por tecnologias remotas e implementação efetiva dos planos de manejo. A integração entre órgãos ambientais, forças de segurança e comunidades locais também é considerada essencial para prevenir invasões e combater atividades ilegais de forma mais eficiente.
Além de preservar a biodiversidade, uma gestão eficiente das áreas protegidas contribui para a manutenção dos serviços ecossistêmicos, como a proteção dos recursos hídricos, o armazenamento de carbono, a pesquisa científica e o desenvolvimento do turismo sustentável, reforçando o papel estratégico das Unidades de Conservação para o equilíbrio ambiental e para a qualidade de vida da população.
Fonte: O Globo. Lacunas de gestão em Unidades de Conservação facilitam invasões, garimpo e até tráfico de fósseis. Publicado em 25 de julho de 2026.