Município pode captar US$ 500 milhões com bolsa de carbono apoiada pelo Banco Mundial

Iniciativa quer transformar município em polo de finanças verdes. Um projeto inovador pode colocar Manaus no centro das finanças climáticas da América Latina.

Manaus poderá se tornar um dos principais centros de finanças verdes da América Latina. Com o apoio do Banco Mundial, a Prefeitura de Manaus está estruturando uma bolsa de carbono com potencial para captar até US$ 500 milhões até 2028, conectando o patrimônio ambiental da capital amazonense ao crescente mercado global de créditos de carbono. A iniciativa integra o Plano Municipal de Bioeconomia, lançado em 2026, que reúne ações voltadas à conservação ambiental, pesquisa científica, monitoramento de áreas protegidas, reflorestamento, saneamento, reciclagem, eficiência energética e mobilidade de baixo carbono. O objetivo é transformar os serviços ecossistêmicos proporcionados pelas áreas preservadas em ativos econômicos capazes de gerar investimentos, promover a sustentabilidade e impulsionar o desenvolvimento local.

Segundo o prefeito David Almeida, o município já está avançando nas etapas de quantificação, monitoramento e validação dos créditos de carbono gerados pelas áreas conservadas e pelas ações ambientais implementadas na cidade. A expectativa é que, após a certificação desses ativos ambientais, os créditos possam ser comercializados no mercado nacional e internacional. “Estamos buscando fazer a verificação desses créditos para poder fazer posteriormente a monetização. A nossa capacidade, na verdade, é até 2028 chegarmos a 500 milhões de dólares, dada a quantidade de área preservada e de ações que nós estamos fazendo”, afirmou o prefeito.

A proposta surge em um momento estratégico para o fortalecimento da bioeconomia brasileira. Em 1º de abril de 2026, o Governo Federal lançou oficialmente o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), iniciativa que busca transformar a biodiversidade do país em um ativo estratégico para o desenvolvimento econômico sustentável. O plano integra políticas de inovação, financiamento, industrialização e conservação ambiental, reforçando a importância de projetos que valorizam a floresta em pé e os serviços ecossistêmicos como instrumentos de geração de renda, inclusão social e atração de investimentos.

Para o professor e pesquisador Dr. Luciano Farinha Watzlawick, da Unicentro, especialista em quantificação e monitoramento de carbono florestal e consultor da Ecophield, iniciativas como a de Manaus demonstram como a conservação ambiental pode ser incorporada às estratégias de desenvolvimento econômico dos municípios. “A iniciativa, além de promover a sustentabilidade, deverá gerar ganhos econômicos significativos por meio da pesquisa, monitoramento e gestão adequada das áreas preservadas, possibilitando a mensuração e posterior certificação dos créditos para comercialização. O avanço das políticas públicas voltadas à bioeconomia demonstra que a conservação ambiental deixou de ser apenas uma estratégia de proteção da natureza para se consolidar como uma oportunidade concreta de desenvolvimento econômico sustentável”, destacou o pesquisador.

Além da geração de créditos de carbono, Manaus vem investindo em inovação tecnológica para aprimorar a gestão ambiental. Entre as iniciativas está a utilização de drones de alta tecnologia para monitoramento florestal, identificação de focos de calor e prevenção de incêndios. De acordo com a prefeitura, a adoção dessas ferramentas contribuiu para uma redução expressiva dos registros de queimadas no município ao longo de 2025.

“Nós estamos usando a tecnologia de drones avançados para que a gente possa fazer o monitoramento de queimadas. No ano de 2025 praticamente zerou o número de queimadas em Manaus, bem diferente daquilo que a gente via em anos anteriores”, afirmou David Almeida.

Com a regulamentação do mercado de carbono avançando no Brasil, o fortalecimento das políticas públicas de bioeconomia e o crescente interesse de investidores por ativos ambientais, Manaus desponta como um exemplo de como a conservação dos recursos naturais pode gerar oportunidades econômicas e sociais. A valorização dos serviços ecossistêmicos, associada à inovação tecnológica e à gestão sustentável do território, reforça o potencial da floresta em pé como base para uma nova economia verde, capaz de gerar empregos, atrair investimentos e promover desenvolvimento sustentável para as futuras gerações.